terça-feira, 19 de janeiro de 2021

O caminho das pedras

 As decisões certas (ou não)

A pequena frota

Olá leitores queridos, como vão ?
Vamos adiante na história, sobre minha empresinha de transporte de passageiros. Hoje estou inspirado para escrever, e cansei de falar de mulher. Tentei formular uns textos sobre mulheres mas acho que não tô na vibe de relembrar de desilusões amorosas.

Ao som de: Só da você na minha vida - Hugo e Guilherme

2016 foi um ano excelente. Muitas mudanças positivas, muito desapego e claro, como sempre, um declínio desenfreado.

Eu tinha um faturamento bom com a empresa de transportes. Uns 30k por mês. Passei a frequentar lugares que nunca havia sonhado em pisar. Quer ficar rico? Tenha amigos ricos!

Da primeira vez que fui no Outback com alguns amigos, peguei o cardápio e não entendi bulhufas do que estava vendo.
Veio então uma garçonete muito bem apessoada e perguntou qual seria meu pedido.
Apontei o primeiro item do cardápio e disse: "Quero daqui, até aqui", apontando pra ultima linha do cardápio.

Não achei foto do Outback, então vai do Applebee's mesmo.


É, mandei descer 2 páginas do cardápio do Outback na mesa. Estavamos em 6 senão me engano, e a conta passou dos 4 dígitos. Apesar do estilo de vida e da grana toda, sempre fui um cara simples e ainda gostava de tomar caldo de mocotó no terminal central de campinas, ou sair pra rua de chinelos e vestido igual mendigo. Nunca precisei provar nada pra ninguém, e a mágica do mundo está na simplicidade das coisas.

Esse novo estilo de vida, recheado de coisas boas e muitas mulheres, obviamente me forçou a mudar um pouco e me manter mais saudável e bem vestido. Fechei contrato com mais duas empresas grandes e a coisa só cresceu (agora vejo como durou pouco, na verdade).

Os serviços para a MB ficaram mais frequentes, e os gringos não queriam mais apenas o transporte.
Quando queriam cigarros, me ligavam e pediam. Até que um belo dia, me ligaram pedindo algumas mulheres. E bom, falar não nunca foi uma opção.

Naquele dia, fui numa boatezinha do cambuí, pois já sabia que muitas mulheres que iam pra boate e ficavam sozinhas, era na verdade garotas de programas procurando parceiros. Além disso, tinha alguns contatos de mulheres que levava para moteis eventualmente.

Alias, vamos fazer uma pausa aqui. Essa parte da história merece atenção.

Voltando um pouco no tempo, quando a Uber ficou ruim e deixou de dar um bom faturamento e eu ainda não tinha clientes suficientes pra me manter, comecei a pensar em diversas saídas pra colocar o carro pra trabalhar e pagar as contas.

Foi aí que conheci um novo amigo, que chamarei de Enrolado.
Enrolado era filho de delegado e putz, conheci ele levando ele pra comer uma puta barata de 40 reais numa quebrada de Hortolândia.

Levei ele umas 2h da manhã pra pegar uma puta horrível na rua, e fui busca-lo as 4h da manhã num motel bem chulé. Acabou que o santo bateu e viramos amigos dali em diante.

Sempre amigável.


Comentei pra ele que a coisa tava difícil e ele teve a ideia: "Porque tu não vira motorista de puta?"
Estavamos bebendo num boteco qualquer, eu gostei da ideia e ele sugeriu: "Então vamos abordar as putas da rua e meter cartão nelas".

Saímos do buteco e fomos pra rua das putas. Passamos por todas oferecendo o serviço de transporte de passageiros mais barato que taxi (dupla ilegalidade, kkk). Quando terminamos, ele sugeriu: "Vamos tentar os traveco também?" E fomos pra rua dos traveco meter cartão nas meninas(os).

Algumas horas depois, a primeira chamada. Um serviço de transfer ida e volta pro motel. 50 reais cada perna.

Não vou entrar em muitos detalhes, mas o negócio rendeu. Durante algum tempo, eu exclusivamente levava putas e travecos pra cima e pra baixo. Focava nas putas de luxo, que cobravam acima de 300 reais, para poder cobrar 100 reais de serviço de transfer (pagos pelo cliente delas).

E foi aí que peguei nojo do perfume Egeo. 
Se você leitor, for mulher... Saiba que esse é o cheiro padrão das putas. Toda puta que eu carregava, seja mulher ou traveco, usava essa bosta de perfume maldito.
Tinha um amigo meu que era vendedor da Hinode, e um belo dia ele me mostrou um perfume feminino aplicando num pedaço de papel. Falei que era o cheiro das putas, rimos muito e ele jogou o papelzinho na bolsa lateral da porta do passageiro.

Meu carro ficou fedendo aquele perfume. E eu achava que o cheiro das putas estava impregnado na minha cabeça. Lavei o carro com álcool pra tirar o cheiro, e passei uma semana com dor de cabeça por causa daquele cheiro maldito de perfume no carro. Até que um dia, achei o tal papel lá.

Eu acabei pegando um pouco de aversão a transportar Travecos por motivos que não citarei, então essa fase da minha vida deve ter durado uns 2 meses.

Voltando ao foco, eu precisava de putas. Fui lá na boate, troquei ideia com uams 3, expliquei a situação e saí de lá acompanhado de duas meninas (que cena meus amigos, que cena). Levei as gurias pro gringo e pronto, eu tinha virado o cafetão oficial da MB.

Claro que fazer amizade com putas tem suas vantagens.


Agora além dos transfers, eu ganhava uma boa grana com a cafetinagem. Vejam só:
Cobrava 100 reais para levar as putas pro gringo, depois trazer embora.
Usava minha máquina de cartão pra receber, e levava 10% do valor total como 'taxa'.
E cobrava 25% do valor pago às meninas, como 'taxa de conveniência'. 
Então 2 meninas, cobrando 300 reais por programa me rendiam 295 reais. As meninas que 'trabalhavam', ganhavam 202,5 reais cada uma liquido, em espécie pagos na hora. Que negócio da china, né?

O problema é que meu noivado tava muito ruim, e começou a chover energia negativa na minha horta. Apesar de tudo, sempre acontecia alguma coisa que me tirava do eixo. 

Numa noite, eu tinha 2 transfers marcados. Levaria uma menina pra Guarulhos a meia noite, voltaria pra Campinas e levaria o gringo pra guarulhos as 7h da manhã.

Fiz a primeira perna da viagem, entreguei a passageira e aqui um fato curioso...
Durante a viagem, eu via ela debruçada nos bancos me olhando e num ponto ela disse: "cuidado na volta". Quando chegamos ao destino, ela havia sumido. Me disse que dormiu deitada no banco a viagem toda.

Bom, voltando pra Campinas um médico chapado avançou o sinal vermelho com o farol apagado e chapou meu carro.


Rodei na pista por conta disso, e tirando o susto e o dano estético, tudose resolveu. Voltei dirigindo pra Campinas e já tinha o horário marcado com o Gringo... não podia nem pensar em falhar. Não tinha carro disponivel para fazer esse transfer.

Deixei o carro em casa, peguei um Uber e fui até o aeroporto de campinas pegar um carro alugado.

Cheguei pontualmente na casa do gringo conforme combinado, ele estranhou o carro diferente e expliquei o ocorrido. Obviamente ele lamentou e agradeceu pelo meu comprometimento. Afinal ganharia muito pouco naquela viagem devido custo do carro alugado. Fiquei mais de um mês com o Jetta parado, e aluguei um Focus Sedan pra trabalhar nesse tempo. Lembro que de aluguel mensal, pagava uns 4 mil reais.

Foi nesse ponto, quando estava com o Focus, que conheci a 03. Mas essa é uma história que contarei só daqui um booooom tempo.

Minhas vindas para São Paulo eram frequentes, então era fácil ter uma mulher aqui e uma em Campinas. Ainda sim, o ano de 2016 foi muito bom financeiramente e amorosamente. Terminei meu noivado e engatei o romance com a 03. Eu não sabia se realmente seria algo duradouro, parei de sair com outras mulherese passei a focar só nela. Afinal, era muito bem recebido quando vinha pra casa dela em SP. Não quero entrar nesse assunto, então acho que vou parar de escrever por enquanto.

Por enquanto é só, pessoal :)

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Os malditos taxistas

A briga com os taxistas




Vamos para a segunda parte da história do começo da Uber.

Ela chegou no Brasil, e permitiu que pessoas comuns com seus carros comuns, passassem a fazer viagens levando passageiros por dinheiro.

Em Campinas, isso é proibido por Lei. Transporte remunerado de passageiros é permitido exclusivamente para veículos com placa vermelha, e placa vermelha em carro de passeio é só para Taxi.

Então nós Ubers tínhamos 2 problemas: 
- A fiscalização de transito, buscando apreender os 'irregulares'
- Os taxistas, que vinham perdendo clientela pros Ubers.

A Uber tinha um advogado a disposição, pra tratar de carros removidos ao pátio por 'transporte irregular de passageiros', prometia arcar com todos os custos de ter o carro preso, multas e danos ao veículo causados por taxistas.

Acredito que você, meu leitor, deve se lembrar que em 2016 era comum aparecer no jornal que taxistas quebravam o carro dos Ubers. As vezes, até agrediam os motoristas fisicamente.

Entrei nesse mundo sabendo desse risco, mas o ganho era alto demais e o risco era aceitável.
Quando a Uber começou, era uma panelinha de motoristas e passageiros. O nível dos passageiros era alto, por exigir cartão de crédito válido no ato do cadastro. Quem usava o serviço, eram os ricos e os universitários.




Toda sexta feira, nos reuníamos próximos as universidades em Barão Geraldo, afinal a gente precisava de numero de viagens, não de dinheiro. E lá, fazíamos 3, 4 viagens por hora levando a galera das republicas para as festinhas locais.

Imaginem a cena: No McDonald's de Barão, ficavamos eu com o Jetta, Paul com sua Outlander, um gordinho que tinha um Fusion, outro que tinha um Peugeot 407 e um cara com um Azera. Todos pretos.
Era só a nata da Uber, e tinham acabado de implantar a tarifa dinâmica em Campinas.
Explico: Quando tinha mais gente chamando do que carro disponivel, a Uber aumentava o preço da viagem. Quem estava disposto a pagar 2 ou 3x o valor da corrida, tinha carro de imediato. Quem não tinha grana, esperava o preço baixar.


A Uber estava se popularizando, tinha mais gente querendo usar o serviço do que carro disponível. Os preços subiram e saiu o Gideão pra pegar o primeiro passageiro.
5 minutos depois, ele volta afobado pro McDonald's falando: Os taxistas estão jogando pedras nos carros da Uber. Não vão pro Campinas Hall, pq falaram que vão quebrar todo carro preto que passar por lá.
Rimos muito, e decidimos encerrar a noite por ali mesmo. Melhor ir pra casa com o carro inteiro, do que se arriscar por mais uns 50 reais. E todos entramos em nossos carros e seguimos para Campinas.

Atenção ao segundo comentário.

Eu pensei: "Ahn cara, eu não acho que vão quebrar meu carro." E liguei o aplicativo.
De imediato, caiu uma viagem no dinâmico 3.0x. Liguei para a passageira e falei: "Olha, estão querendo quebrar os carros dos Ubers. Saia do Campinsa Hall e vá andando em direção a ponte. Te pego no final da ponte, pode ser?"
E assim foi. Fiz o retorno e voltei pra pegar o grupo de meninas.
Quando estava chegando em frente ao Campinas Hall, um grupo de taxistas entrou na frente do carro. Eu baixei marcha e acelerei, ia levar aqueles cuzão tudo no peito se não saíssem kkk.
Passei, mas começaram a jogar pedras no meu carro. Levei uma pedrada no parabrisa, encontrei o grupo de meninas, parei o carro e pedi para que elas entrassem logo. Os taxistas vieram atrás de mim, jogando pedras e o que mais podiam.




Acelerei e fui fazer a entrega dos passageiros. A corrida deu 15 reais, e eu tinha perdido meu para-brisas.
Aí decidi que realmente deveria ir embora pra casa. Porém esses porcos malditos me emboscaram e me perseguiram... Pulei o canteiro central pra escapar na contra mão, e um taxista numa palio weekend começou a me seguir.
Nunca que aquela bosta ia andar junto, claro. Cheguei num ponto onde tinha uma grande valeta, e tive que diminuir e passar bem devagar pra não perder meu para-choque... Nesse momento o taxista maldito da palio weekend que vinha embalado, não parou e afundou a traseira do Jetta.
O carro dele parou, e eu segui pra casa.

Bom, tinha me fodido. Os danos foram no para-brisa, para-choque dianteiro, para-choque traseiro e tampa do porta-malas. 

Como a Uber dizia que pagaria qualquer reparo oriundo de danos causados por taxistas, liguei no 0800 de emergência da uber e relatei o ocorrido.
Meu carro era novo, então mandei na Volkswagen para fazer o reparo.



E a Uber realmente pagou o preju. R$9.920,00 pelo reparo, e ainda pagou a semana que fiquei com o carro parado.

Depois de alguns meses tive o carro quebrado novamente por taxistas, e a uber novamente pagou sem reclamar.

Aí veio o problema: era real o ódio dos taxistas, e fazer viagens na noite era realmente perigoso. Nossos carros começaram a ficar marcados pelos porcos e sempre rolava uma confusão ou outra.

Nosso ponto de encontro era o McDonald's da norte-sul, e combinamos que caso um taxista viesse querer arrumar confusão, deveríamos seguir sempre pra lá.
E uma semana depois, após desembarcar um passageiro no cambuí, fui seguido por um taxista. Fui pro Mc e tinha uns 10 ubers por lá. O cara usou o radio taxi pra chamar outros amigos, e em minutos apareceu um monte de taxista. Virou um salseiro do caralho, todo mundo se xingando e finalmente a policia chegou para apaziguar.

Diante do ocorrido, a gerência do McDonald's proibiu que os ubers ficassem por lá de noite e então nos mudamos para a Dpaschoal.

Nessa época, ficou difícil trabalhar por causa da represália. Toda hora tinha um taxista na bota enchendo o saco, eu vivia fugindo porque meu carro tinha ficado conhecido e foi aí que a Uber deu o primeiro 'golpe'.

Na noite pro dia, tirou os incentivos. Ou seja: dali em diante iriamos ganhar apenas o valor que fizessemos nas viagens, sem nenhum adicional por ficar ou não Online.

Acabou-se o que era doce.


Junto com isso, implantou um sistema de recompensas por indicação de motoristas.
Cada 'amigo' que eu colocava pra dirigir na Uber, recebia 400 reais. Com isso, a quantidade de motoristas aumentou MUITO, e a quantidade de passageiros não acompanhou. Tu ficava online o dia inteiro e malemal fazia 100 reais. Foi um péssimo mês, eu só consegui tocar o barco pois tinha uma grana guardada da época de vacas gordas.

Fizemos um 'protesto' contra a Uber, pedindo segurança e controle dos motoristas. Fomos na frente da prefeitura e fizemos um salseiro do caralho... E a Uber encontrou uma solução para nos atender.


Decidiu que dali em diante, qualquer mero mortal poderia chamar um Uber. Passou a aceitar pagamentos em dinheiro, visando aumentar a userbase da plataforma e voltar a remunerar bem seus motoristas.

Claro que foi uma bosta, pois aí a Uber ficou sendo concorrente do ônibus pelo preço, e qualquer pé sujo entrava no seu carro pra se locomover pagando 7 reais.
Foi aí que percebi que a Uber estava fadada a ser apenas um meio de sobreviver, não de realmente ganhar dinheiro e viver bem.
Tive a ideia de abrir a empresa de transporte de passageiros. Mandei fazer cartões personalizados, recibos, peguei uma máquina de cartão e meu foco era usar a Uber para construir a minha Userbase. Todo cidadão que entrava no meu carro, ganhava além de agua e balinhas, o meu cartão.

Oferecia um serviço de qualidade com um preço justo, trabalhando 24h por dia e 7 dias por semana.
Meu objetivo era focar no trabalho noturno, pegando empresários em pontos específicos da cidade para apresentar meu serviço.

A tática deu certo, e foi assim que consegui uma grande quantidade de clientes 'fora da Uber'. Passei a ter inclusive mais serviço do que podia prestar, então passei a terceirizar o serviço para outros motoristas. Cobrava os mesmos 25% de taxa que a Uber cobrava, e mesmo quando não estava dirigindo estava ganhando algum dinheiro.

Eu e meu pai, fazendo transfer para o Tomorrowland

A coisa voltou a andar, e passei a usar a Uber só como meio de captação de clientes e para conhecer pessoas interessantes. Era melhor que o Tinder e ainda me dava alguma grana. A empresa cresceu e decidi que era hora de comprar mais um carro. Mas vamos deixar essa parte da história para um outro post.

Numa bela noite de quinta feira, peguei 2 gringos no cambuí. Um entrou no carro e desmaiou no banco de trás. O outro, ainda lúcido e com um péssimo português falou: "Vamos para minha casa que é proxima daqui, depois tu leva meu amigo até Sousas na casa dele. Ele não fala uma palavra em português, só inglês e alemão. O pagamento está no cartão, então não precisa nem se preocupar em receber"

Quando o primeiro gringo chegou em sua casa, o segundo despertou e começou a conversar comigo.
Meu inglês era quase intermediário, bem técnico e eu ramelei um monte pra conversar com ele. No fim da viagem, dei meu cartão e ofereci meus serviços. Ele então disse que era um alto executivo da Mercedes Benz, que fazia viagens semanais para Guarulhos e que havia gostado do meu serviço. Disse que em breve entraria em contato comigo.

Se eu não me vestisse assim, provavelmente não teria ganhado a Mercedes Benz.


Puta merda, ganhei na loteria. Tudo o que eu precisava era de um cliente grande com um bom volume de serviços! O gringo ainda levou um mês para me procurar e fazermos a primeira viagem.
Acertamos o valor, e ele me passou sua agenda.

Domingo as 4h da manhã, seguia para Guarulhos.
Segunda as 22h, buscava ele em Guarulhos.
Terça levava ele pro bar as 19 e buscava as 22h
Quarta, levava pra Gru as 05h da manhã, buscava na sexta as 23h.

Faturava mil reais por semana com ele. Passava entre 1,5 e 2h com esse cara no carro, e a consequência foi que melhorei MUITO minha conversação em inglês, por obrigação. Além dele, haviam outros executivos da Mercedes Benz que eu levava pra cima e pra baixo e tudo corria muito bem. Meus ganhos melhoraram muito, e voltei a ter um pouco de fôlego na vida.

Foi aí que conheci pessoas ricas de verdade.


Tive alguns acidentes com o Jetta (bateram em mim 3x em 2016) então passei algum tempo com carro alugado. A exigência, sempre foi andar em carros alemães. Então minhas opções não eram muitas. Jetta, Passat, Mercedes, eram o que estavam no meu orçamento. Tenho algumas histórias muito boas dessa época, e de início a ideia era fazer um blog anônimo para poder contar todas... Não sei o quanto vou me aprofundar aqui, tendo em vista que tô colocando minha cara em todas as postagens. Mas tentarei de maneira sutil, ir o mais profundo que a legalidade permite.

A confiança então aumentou, pois sempre tive 'pontualidade britânica'. Se marcavamos as 19h, eu chegava 18h55 e avisava que estava disponível. Inclusive teve um episódio em que fui buscar o Phillip com o gringo no carro, e ele disse que o Phillip estaria na portaria nos aguardando. Questionei: Será que já desceu? Ao que me respondeu: "He is a German. He's never late.' E realmente, eles cronometram os segundos para cumprir qualquer cronograma.

Com a confiança, vieram os serviços extras. Virei um personal concierge. Se ele queria cigarros as 3h da manhã, me ligava e eu ia buscar. Se quisesse mulheres as 3h da manhã, eu arrumava e entregava. Isso merece até um ponto a parte, e vou quebrar aqui a postagem para começarmos sobre o ápice da parceria.

Se gostou, comenta! Seus sem costume do caralho. Todo dia o Blog tem 40, 50 leitores diferentes e ninguém comenta nada.

Enjoy :)

domingo, 17 de janeiro de 2021

Como a Uber mudou minha vida

 Eu e a Uber


Olá meus queridos leitores, como vão? Tudo bão ?
Faz tempo que não escrevo, né! Meu trabalho me consome muito, e eu adoro isso. 
Senta que lá vem história, vamos escrevendo e ver o que vai sair aqui!

Ao som de: É sempre assim - Hugo e Guilherme (adoro esses mlk).

Ahn... Vamos falar da Uber. Um grande divisor de águas da minha vida. Primeiro vamos contar a história da Uber aqui no Brasil, e como eu caí de paraquedas nela.

Sempre trabalhei com TI, profissão que amo de paixão e muito estudei pra firmar minha carreira.
Em 2015, fui demitido da Algar depois sofri o acidente de moto. Apesar de ter dado uma chacoalhada na minha vida, eu segui trabalhando como freelancer e conseguia pagar minhas contas.

Foi aí que um grande amigo que trabalhou comigo me deu a dica: "Pedrão, a Uber começou e qualquer um pode dirigir nela. Faz o cadastro e vê no que dá!"

E beleza, fiz o cadastro na Uber mas não dei muita bola. Em novembro de 2015 fui contratado pra ser operador de redes e cara, aquele trabalho me consumia demais. Um dia faço um relato exclusivamente sobre minha carreira e meus empregos. Por fim, não aguentei o trampo pois a carga horária era puxada demais e eu quase não dormia.




Cuidava de alguns servidores Cisco alocados no banco laranjinha e da empresa de telefonia morta.
Trabalhava o dia inteiro, e de madrugada fazia reparos em equipamentos na janela das 00 as 05h. Andava 6 mil km por mês com meu carro, era insustentável. 

Num belo dia, quando completei 3 meses de empresa fui mandado embora após uma discussão com o patrão por não pagamento de hora extra. Nesse ponto, eu tinha pego o Ford Ka de volta porque precisava de um carro confiável pra viajar. E tava com um carnezão de 1200 conto pra pagar. Eu precisava me mexer.



Meu pai tinha saído um belo dia com meu carro, pra ir na feira, e alguém deu uma cacetada nele enquanto estacionado. Mandei o carro pro reparo, peguei o carro reserva e ativei meu cadastro na Uber.

Era incrível como era tudo vago. Não sabia como nada funcionava, não tinha ninguém pra explicar e a ideia era só abrir o aplicativo, ficar online e ir buscar as pessoas no pontinho que aparecia no mapa.

Bela escolha pra fazer Uber, né ?

Comecei a fazer Uber numa quarta feira de noite, pois na época era obrigatório um seguro APP (acidentes pessoais a passageiros) e levava uns 3 dias pra Uber aceitar a documentação.
Nesta época, o pagamento era exclusivamente no cartão de crédito. Quem não tinha cartão, não andava de Uber. Simples e seguro.

No sábado, eu tinha feito 400 reais e gasto 250 de combustível. Achei economicamente inviável, e decidi chamar um Uber pra perguntar pro motorista se era isso mesmo... E foi aí que conheci uma moça muito simpática. Ela me explicou que era assim mesmo, e que no domingo a Uber pagaria um extra pelo tempo que ficamos online. Achei que deveria insistir mais um pouco e então domingo, eu tinha feito 600 reais em corridas e a Uber me pagou 1300 reais (?!?!?!).

Foi aí que recebi um e-mail da Uber, explicando as regras do jogo:
A Uber pagava 45 reais por hora online (menos 25% de tarifa) que dava 33,75 reais por hora.
Para receber isso, eu precisava fazer 0,8 corridas por hora. 10 horas online, 8 viagens concluídas.
Se eu fizessem 8 viagens de 10 reais, ao total teria ganho 60 reais e a Uber completaria os 277,50 pra fechar a carga horária.

Fenomenal! Era só ficar online e aceitar qualquer corrida com um sorriso no rosto que no fim do dia estaria rico.


Agora vamos de um pouco de história (como sempre, né. Adoro desenhar como as coisas funcionam quando escrevo).

Neste começo a Uber, ela quer 'marcar' presença e escolhia os melhores carros. Oferecia excelentes ganhos (calcule comigo! 33,75 por hora, 12h online por dia, 6 dias na semana. São R$2.430,00 por semana! Quem ganhava isso em 2016? Médicos, Engenheiros, Piloto de avião e helicóptero, etc...

As profissões que citei, realmente eram as profissões dos Ubers. Médico com licença caçada, Engenheiro que fez prédio que caiu e não podia exercer, Piloto da petrobrás que caiu na lava jato... O nível da galera era altíssimo. Eu era um Zé qualquer no meio daquele povo.

Em SP tinha o Uber Black, e Campinas foi a cidade piloto do Uber X. Apesar da tarifa bem menor, a ideia era manter o mesmo padrão de atendimento. Agua e bala no carro, vestimenta social e os caralho todo.

Voltando ao foco agora, eu vi a possibilidade da ganhar 2,5k por semana e mergulhei de cabeça. Na verdade, ficava online todo o tempo que não estava dormindo. Acordava as 9 e ia pra rua. Voltava pra casa lá pelas 2h da manhã. E comecei a faturar alto.

Até que, meu carro ficou pronto. Depois de 35 dias na oficina, pra trocar parachoque e farol (Ford sempre foi fenomenal em serviços).

Entreguei a Duster e peguei o Ford Ka. O carro era bem novo, tinha uns 30 mil km e tinha tirado zero km em novembro de 2014. Logo que liguei o aplicativo, primeira viagem, cancelada.
Segunda viagem, cancelada pelo passageiro. Terceira viagem, mesma coisa.
Tocou uma quarta viagem, e o passageiro aceitou. Ao entrar no carro, exclamou: "Poxa, é um Ka grande. Achei que era aqueles Ka pequenos 2 portas".



E tava feita a merda. Como a Ford fez um substituto pro Fiesta, mas deu o nome de Ka, a grande maioria da população que não conhecia o carro por ser um lançamento recente, atribuía o nome Ka aquele carro pequeno que foi fabricado até 2013.

Minha taxa de cancelamento subiu, e naquela primeira semana não recebi os 'extras' da Uber. Faturei só os 1300 reais das viagens que fiz e não os 2500 reais esperados. Bateu o desespero, precisava de uma solução.

Sábado fui numa loja de carros ver alguns carros, e saí de lá com negócio fechado num Jetta 2014. Era pra ter comprado um Renault Fluence, mas agradeço a Deus pelo livramento e fechei negócio no Jetta por um preço maravilhoso. Comprei esse carro sem andar, tamanha era minha sede em voltar a rodar na Uber o quanto antes. A cada 4 viagens que tocavam, 1 era cancelada por causa do modelo do carro.

Um dia eu escrevo mais sobre o Jetta.

Segunda feira no fim da tarde, peguei o carro e entreguei o Ka. Terça a Uber aprovou o carro e me liberou pra trabalhar com ele. Era automático, bancos de couro... puta carro do caralho né.

Decidi tirar o atraso e nessa primeira semana eu só ia pra casa tomar banho. Cochilava no carro entre uma viagem e outra e o faturamento voltou a subir! Descobri que o consumo dele era alto, igual o da Duster. No Ka, eu gastava 60 reais por dia de etanol. No Jetta, passei a gastar 110~120 pra arrecadar o mesmo montante.
Decidi que precisava de uma solução rápida, e fui correr atrás de como funcionava o GNV.

Trabalhei umas duas semanas andando no Etanol, apesar do custo elevado ainda sim dava pra faturar uma grana boa.

Nessa época era assim: Tínhamos que ficar online o maior tempo possível, então parar pra comer, ir no banheiro, eram coisas que fazíamos apenas entre uma corrida e outra.
Adotamos o McDonald's da Note-Sul como 'ponto de encontro' dos motoristas Uber. O estacionamento era grande, tinha banheiro e dava pra comer alguma coisa nas horas vagas.

De noite, era comum ficarmos reunidos em uns 15 Ubers no Mc, todos online aguardando uma viagem e comendo tortinhas. Infelizmente fomos expulsos de lá depois que arrastei umas 2 brigas entre uber e taxistas pra lá (falarei disso adiante), e migramos para a DPaschoal também da norte-sul.

Galera da noite, numa sexta feira

Bom, instalei GNV no meu carro e passei a gastar 35 reais por dia pra trabalhar.
A dívida aumentou, pois a parcela do Jetta era mais alta e o seguro era quase o dobro. Me lembro que o Flávio me disse uma vez: "Você é casado? A Uber destrói relacionamentos." E meu destino estava escrito, como já relatei aqui.

Entrava muita grana, conversava com muita gente e tinha uma vida divertida. Meu relacionamento com a 02 já estava uma merda, então eu preferia ficar na rua fazendo Uber do que ficar com ela.

Teve um causo interessante:
Uma vez, peguei uma guria umas 10h da manhã de um sábado, numa viagem e ela me disse "Tô saindo com meu outro namorado e o boi tá desconfiando. Passa ali na casa dele pra ele ver que tô saindo com Uber não com outro cara!"

E passamos na casa do cara, perguntou se eu era Uber, viu o aplicativo e tal... E levei a tal menina pra um boteco em Sousas. Lá ela iria se encontrar com um cara rico que bancava ela e tal, e perguntou se eu podia ir busca-la quando o rolê terminasse. Acertamos o valor (bem acima da tabela) e logo que ela estivesse livre, me mandaria mensagem.

Como já tinha garantido o dia, fui embora pra casa da 02 ficar um pouco com ela. Nossa relação era bem bosta e passei o dia lá. Quando deu umas 3h da tarde, a piranha me ligou. Atendi no viva-voz e ela disse: "Pode vir me buscar amor, já estou pronta".

Nossa cara... essa mina me fudeu. a 02 pirou e eu falei que a mina tava bebada e desnorteada. Como havia pagado adiantado eu precisava ir busca-la. A 02 falou que se eu demorasse, tava fodido.

Dirigi até Sousas e peguei a guria. Ela entrou no carro com um copo de cerveja, absolutamente bêbada. Pedi pra ela deixar o copo, pelo risco de derrubar e sujar o carro. Aí a guria falou que não aguentava tomar, e perguntou se eu não queria 'matar'. Falei que não podia porque ia dirigir e era comprometido e tal... Eis que a filhadaputa me agarra e derruba cerveja em mim.

Putaquemepariu, me colocou na forca. Dirigi os 30km até a casa dela muito pistola, chegando lá a mina me chamou pra entrar mas eu ainda era fiel. Neguei e fui embora.

Cheguei na casa da 02 fedendo perfume de kenga e cerveja... E o quebra pau foi grande.
Troquei de roupa e fui pra rua trabalhar. A noite prometia e eu precisava faturar!

Vou quebrar o texto, prosseguiremos na parte 2 ;)



sábado, 2 de janeiro de 2021

Meu segundo amor Parte 8 (e ultima)

O Inicio da Uber na minha vida, e fim do noivado.

Adorava receber comentários dos passageiros

E aí minha gente, tudo em ordem ?
O problema, é que no final desta postagem eu já vou começar a falar sobre a 03, que é minha ex mulher. E eu ainda não estou pronto pra falar sobre isso, então vou tentar me estender beeeeem aqui sobre a Uber, o fim do meu noivado e nada mais.

Fui fiel durante 5 anos. Nunca pulei a cerca. Apesar das inúmeras oportunidades, me mantive firme e forte na ideia de que homem de verdade não trai, que temos que respeitar e os caralho todo.


Ka ao fundo, Jetta na frente da loja.

Fui ver alguns carros, primeiramente tentei comprar um Focus. Mas pela terceira vez, algo deu errado (já tentei comprar um focus 3x, e toda vez algo deu errado e o negócio não se concluiu) e tive que procurar outros carros.

A loja de carro dos playboy.


Entrei então numa loja chamada Apollo veículos. Cara, lá era só carrão. Entrei por curiosidade, pois na fachada só tinha Mercedes, Audi e outros carrões. Minha ideia era gastar no máximo uns 45 conto num carro preto, com couro e aceito pela Uber Black.

Vi alguns carros, e um Fluence me chamou atenção. Apenas 20 mil km rodados, ano 2014, único dono e preço final de 44 mil. Estava dentro do orçamento e das espectativas, apesar de ser Renault.

Sentamos na mesa para negociar a entrada do Ka, e o vendedor me disse que havia um Jetta 2014 em excelente estado.
Quando vi o carro, apaixonei. Todas as revisões feitas em concessionária, única dona, muito bem cuidado. Puxamos o histórico e nunca havia sido batido, sem novidades. O preço dele: 64 mil.

Falei pro vendedor que estava fora do meu orçamento e tudo mais... E ele me disse: "Tu quer esse carro Pedro ? Vou falar com meu gerente e volto aqui com um negócio que tu não vai poder recusar".
E respondi: "Se fizer menos de 50 conto, é negócio fechado." Eu sabia que o cara não ia chegar nesse preço, e um Jetta era muito além do que eu estava procurando.

Eis que o vendedor sentou na mesa, pegou um papel e escreveu: R$49.999,90.

Filhodaputa. Comprei o carro. Dei o Ka de entrada, o banco aprovou de imediato minha ficha e lá fui eu abraçar um carnezão de 1600 conto.

Comprei o carro sem andar. Mandaram cristalizar a pintura e me entregaram o Jetta igual zero km... Que carro fenomenal. Cara, esse foi o melhor dia da minha vida. Quem nunca sonhou em ter um Jetta ?
Eu ia arrebentar de ganhar dinheiro e ainda poderia fazer Uber Black em SP.


Claro que o seguro daquela bosta também era alto pra caramba. Lembro que usei a apólice do Ka, onde pagava 2200 e pelos 3 meses restantes de vigência na Porto, paguei 800 reais.

Cadastrei o carro na Uber, fiz o seguro app que exigiam na época e 2 dias depois já estava trabalhando com o carro.

Nessa época, os ganhos da Uber haviam diminuído, pois não ganhava mais apenas para ficar Online. Agora eu tinha que pegar passageiros e fazer viagens pra ganhar a grana.
E ficava online umas 14h por dia, começando as 2h da tarde e parando antes do sol nascer.

Fiz muitas amizades nesta época, algumas que carrego até hoje e são muito queridas! A 02 só reclamava, pois eu preferia ficar na rua trabalhando do que ficar com ela. Lógico! Ela só me enchia o saco e dava prejuízo. Na Uber, eu ganhava dinheiro e ainda batia altos papos com os passageiros. Sem duvidas, o melhor da Uber eram os passageiros.

De sexta feira, ia para um bairro universitário onde tinhas muitas e muitas festas, e passava a noite levando o povo bêbado pra cima e pra baixo. E foi numa essas, que pulei a cerca pela primeira vez.

Ô trem que pula. kkkk


A Uber exigia de nós que usássemos roupa social (gravata era um diferencial), tivéssemos agua e balas dentro do carro para fornecer aos passageiros. Naquela época, a Uber era formada só por carrões.
Passei a me vestir melhor, para me adequar as normas da Uber, entrei num grupo de Whatsapp da Uber e virei ADM. Aí fiquei famoso por ter o maior grupo da Uber de Campinas.

Numa bela viagem da madrugada, peguei 2 meninas e um cara. Uma das meninas foi no banco da frente, enquanto o casal foi no banco de trás. Era uma viagem bem longa. O cara explicou: "Tu vai me deixar em Sumaré"
A primeira "perna" da viagem, daria uns 40km. 

Eis que a moça loira do banco da frente exclama: "Nossa, que balada ruim. Não peguei ninguém!"
E o amigo do banco de trás que tava pegando a namorada, diz: "Pega o Uber, ele é ajeitado!"

Cara, a mina tava com um vestido preto que só tampava uns 3 dedos de coxa. E eu sempre muito respeitoso, mal olhava no espelho retrovisor do passageiro para dirigir, com medo da moça se sentir acanhada. Também não podia olhar muito pro espelho interno, pois o casal tava se pegando bem quente no banco de trás. Eu suava frio.



A moça então, novamente exclama: "Ahn, mas ele não quer me pegar". E põe a mão na minha perna.
Respeitosamente, explico a moça que sou noivo e mostro minha aliança.
Aí a mina investe: "Nossa, sou tão feia que tu num vai nem me dar chance?"
E cara, era uma loirinha 9/10. Falei que ela era muito bonita, mas que por ser comprometido não poderia atender ao seu pedido.

E seguimos a viagem, com a mina emburrada do meu lado e o casal pegando fogo no banco de trás. Após os 30 minutos mais longos da minha vida, chegamos ao primeiro destino.

O cara então falou: "Agora, tu pega essa mina e leva ela pra Sousas."

É mano, rico quando quer algo, dá seus pulo. Daria uns 70km essa viagem, e eu iria sozinho com a mina até o destino.

Entrei na rodovia e a mina botou a mão na minha perna, e disse: "Tu é casado mas num é capado. Tô na vontade, vai me deixar na mão mesmo?"
E a coisa foi esquentando... Até que falei: "Moça, eu tô aqui pra trabalhar... Depois que te deixar em casa, vou seguir trabalhando pois tenho uma meta a bater. Sinto muito".

E ela retrucou: "Para no motel e deixa a viagem correndo. Eu pago o motel, a viagem, pago tudo."
E acabaram meus argumentos. Ela seguiu com o aquecimento até chegarmos num motel na Rodovia Dom Pedro (não lembro seu nome moça, desculpa) e chegando lá meus amigos, que noite.
Ficamos juntos das 2 e pouco da manhã até o sol nascer. Ela pagou o motel conforme combinado, pagou a viagem e ainda me deu um caixinha. Levei 500 paus naquela viagem.


E daquela noite em diante, passei a pular a cerca com alguma frequência.
Nunca dei em cima de passageira alguma, mas algumas me usaram da forma que quiseram.

Aí meu noivado tava acabado. Conversei com a 02, falando que não rolava mais... Que queria seguir meu rumo e ela insistia em seguir em frente, mesmo sabendo que eu pulava a cerca. Tendo o aval, o negócio desandou de vez.

Passei então a focar trabalhar só de noite, visando conhecer novas mulheres e possíveis clientes.


Decido que só a Uber não era suficiente, mesmo faturando 10k bruto no mês.
Como o consumo do Jetta era alto, decidi instalar GNV no meu carro e focar em viagens longas.

Como já era famoso no grupo da Uber, por ter um carro de alto padrão e andar bem vestido, comecei a arrumar vários clientes por fora da Uber e fazer viagens para outras cidades, principalmente pro Aeroporto de Guarulhos. Aproveitava quando vinha pra SP, ligava o Uber Black e ganhava o dobro fazendo as viagens... E o faturamento batia lá nas estrelas.

O carro sempre foi muito confiavel, e NUNCA me deixou na mão. Fazia as revisões respeitando o manual do veículo, e era só abastecer e andar. Colocava 30 reais de GNV no carro, e andava 250km de Campinas até Guarulhos. O valor de cada viagem variava entre 300 e 400 reais.

Numa bela noite, estava trabalhando em Campinas quando peguei 2 gringos bêbados.
Um não falava uma palavra em português, e o outro deu as instruções de onde deveria deixar o amigo bêbado. Foi aí que conheci um grande executivo da Mercedes Benz.

Ao fim de cada viagem, eu dava um cartão meu, e explicava que além de Uber eu fazia serviços de transporte executivo.


Como o foco aqui é meu relacionamento, não vou entrar em detalhes. Mas contarei essa história em outra oportunidade. Passei a trabalhar para a Mercedes Benz, e um portão imenso se abriu na minha vida. Comprei carros e agreguei motoristas para trabalharem pra mim. Foi aí que o negócio decolou de verdade.

Eu ganhava bem, muito bem. Não tinha tempo de sair com a 02 pois queria trabalhar. E quanto tinha uma folga, saía pra pular a cerca.
Obviamente que, para não correr o risco de ser pego, eu adotei duas regras:

Primeira: Não sair com mulheres de Campinas, apenas cidades vizinhas.
Segunda: Criar um personagem. E então nasceu o Ricardo. Meu nome de guerra que usava pra pescar cremosas. Empresário de diversos ramos, nada muito específico e assim segui com a brincadeira.

Passei a ter algum tempo livre, e devido aos novos amigos serem todos casados... Comecei então a levar a 02 para dar rolê junto com eles. Saíamos aos finais de semana para ir em restaurantes caros, Outback, Applebee's... A gente escolhia um lugar e ia. 
E a conta sempre passava dos 4 dígitos.
Além disso, meu gasto com motel passava dos 1000 reais por mês mas era claro que aquilo tudo teria que ter um fim.

E foi nessas andanças, que conheci a 03.

Paralelamente, estava noivo da 02 e saindo com a 03. Usava o nome de Ricardo e me dizia solteiro. Conheci a familia dela, e depois de um mês nessa cachorrada toda a casa caiu. Ela descobriu que o Ricardo não existia, e que o Pedro era noivo de uma mina a 6 anos.

A opção que ela me deu: "Tu tem 24h pra resolver sua vida. Ou uma, ou outra".



Peguei meu telefone, mandei uma mensagem pra 02 e terminei nosso noivado. A 03 era 7 anos mais nova que eu, bonita e cara, como ela gostava de mim.
Que caralhos aconteceu, pra todo aquele nosso romance chegar no divórcio ? A culpa não foi só minha, um dia explicarei.

E foi assim que meu noivado acabou... Já engatado em outro relacionamento.
A vida de canalha acabou, eu gostava demais da 03 pra pisar na bola com ela. E entre erros e acertos, fomos nos achando e construindo nossa vida. E fui absolutamente fiel durante esses 3 anos e pouco.

Já aviso que nosso relacionamento durou 3 anos e pouco, e que estou dando entrada na papelada do divórcio enquanto escrevo este texto...
E acho que então, podemos encerrar a história do meu segundo relacionamento.

Contar a história da 03, ainda é meio complicado pra mim. Meu divórcio é meio recente, tô separado a 3 meses e ainda não quero cutucar essa história. Preciso amadurecer mais um pouco antes de me aprofundar nessa história e escreve-la aqui para vocês.

As próximas postagens serão então, sobre coisas aleatórias sobre mim... Como os carros que eu tive, puladas de cerca, minhas histórias como Uber e etc.

Espero que tenham gostado até aqui :)

Aquele abraço!



Meu Segundo Amor Parte 7

Quando quase morri, pela primeira vez.


Meu capacete, após o acidente.

Vamo lá gente boa! Continuo escrevendo e vou soltar um post por dia durante 'minhas férias'. 
Escrito em: 30/12/2020

Como falei na ultima postagem, saí de casa atrasado pra ir num cliente. Parei num posto para afivelar o capacete, que sempre deixei solto, andei uns 2km e um caminhão me acertou.
Havia uma obra para construção do novo Extra de Alphaville, saindo de Campinas sentido Jaguariuna, eu tava meio chapado por causa do remédio, e quando olhei pra trás... Vi uma Scania azul me acertando.

Primeira foto de quando acordei no hospital.

Meu capacete pegou no radiador dela, minha moto tinha baú, que quebrou e avançou nas minhas costas... E graças ao meu bom Santo protetor, eu fui jogado pra grama, longe da moto.

Meu pé direito foi esmagado, mas sem fratura exposta. Quebrei 4 costelas (cara, é ruim demais... não podia rir nem espirrar). A pancada na cabeça me apagou a memória por uns 3 dias.
Não me lembro do momento do acidente. Me lembro de estar na ambulância, enquanto o paramédico me reanimava, e ter segurado ele bem forte pela mão... quando ele disse "ele voltou". Aí apaguei e me lembro de muito pouco dos 3 dias seguintes.

Quando acordei no hospital, não conseguia me mover e estava MUITO enjoado. Tirei uma foto da minha perna, e vi que tinha algo errado.

Postei essa no Facebook: "Onde eu tô?" kkk

Eu andava bem protegido. Jaqueta com proteção rígida de coluna, luvas de cross... Só não estava de bota, pois estava indo pra uma reunião no banco que exigia roupa social.
Minha jaqueta e luvas se desintegraram, mas me protegeram muito bem. O capacete, por sorte era de qualidade e segurou bem a pancada.

Passado o susto, liguei pro meu pai pra falar onde estava, ele pegou a 02 e foram ao hospital.
Apesar do trauma, não foi nada grave e fui liberado no mesmo dia.

Tô bem =]

O problema foi a reunião das 10h que eu havia perdido... E isso quase custou o projeto todo. Enviei o boletim do acidente e conseguimos reverter o quadro negativo.

Minha moto tinha seguro, e não deu perca total. Amassou o quadro, as bengalas, balança.. E ela tinha uns 5 mil km naquela época. 

Parar de trabalhar não era uma opção, e como não era registrado, não tinha como abrir CAT e afastar pelo INSS.

Um dia eu conto a relação de amor e ódio com esse carro.


O Brava, pra viriar como todo bom Fiat, começou a dar trabalho... Ferveu e tive que mandar pra oficina fazer o cabeçote.

Tá Pedro, mas porque tu ainda tava noivo se já não gostava mais da mina?
Explico: Sou um homem de princípios e palavras. E alguns meses antes, dei uma martelada na minha televisão que quebrou a tela. Fui comprar uma televisão nova, e acabei comprando no cartão da 02, pra pagar em 18x sem juros no carrefour. Então eu só poderia terminar o relacionamento lá pra outubro de 2016, quando terminaria de pagar aquela merda...

Me recuperei, acionei o seguro e mandei arrumar a moto. Ficou uns 5 mil pra arrumar, paguei os 2 da franquia e anunciei a moto. Minha mãe e a 02 não queria mais que eu andasse de moto, e confesso que peguei um pouco de medo também depois dessa.

Foi aí que conheci o Crocs!

Nennhum sapato entrava no meu pé. Apesar do maior dano ter sido no direito, o esquerdo também ficou inchado e meio ruim. Troquei o gesso pela Robofoot, aluguei um carro e voltei a trabalhar.

A Lander ficou pronta, o reparo foi feito na Yamaha e cara, trocou a moto inteira. Tanque, painel, farol todas as carenagens... Saiu de lá parecendo 0km. Quando anunciei, avisei que a moto estava em reparo na concessionária por conta de um acidente, e as pessoas iam lá ver a moto...

Agora eu tava fodido. Meu carro num andava direito, num tinha a moto pra ir trabalhar e tava pagando uma grana legal de carro alugado. O Brava ficou pronto, e tive uma viagem para Pouso Alegre/MG.

Não cheguei em Pouso Alegre. Ele ferveu no caminho e parou. Isso porque tinha ficado 15 dias na oficina, onde foi feito o cabeçote, trocado todo o sistema de arrefecimento, bomba d'agua, valvula termostática, todos os selos do motor... Nada explicava o porque daquela bosta ferver.



Eu tinha um amigo de Indaiatuba, que conheci no Brava Clube... E ele falava que a Brava era uma entidade e que tinha um pacto com o dono. E minha gente, era incrível. Quando eu tava sozinho no carro, ela andava que era uma beleza. Era só a 02 colocar a bunda no banco, que a temperatura subia. Eu devo ter um video disso em algum lugar. Se eu achar eu coloco aqui.

Era um sinal claro, de que deveria encerrar meu relacionamento... Mas não antes de quitar a televisão.

E a coisa foi fervendo...


Ela nunca foi tão parceira... Mesmo no meu acidente, quem cuidou de mim foi minha mãe.. ela fazia apenas algumas rápidas visitas.

Fui me recuperando, meu carro vivia na oficina... E tinha que trabalhar muito pra pagar a oficina + o carro alugado. Nunca tive ajuda nenhuma, nem quando estava de cama. Só me restava erguer a cabeça e seguir em frente.

*O problema de eu terminar a história desse relacionamento, é que vou ter que entrar no meu casamento... E não tô muito confiante pra contar essa história ainda. Mas vamos ver onde isso vai dar.

O ano de 2015 correu, trabalhei muito e me recuperei. Decidi vender o Brava e comprei uma Blazer 4.3 v6. Fiquei com ela uma semana, até travar o motor.

Fiquei tão pouco tempo com ela, que quase não tenho fotos.


Devolvi, continuei com o Brava e achei uma Scenic pra comprar. Era um bom carro, segundo dono e estava bem cuidado.

Completaça *-*

Financiei um pedaço dela, nessa época eu tinha um nome tão limpo e um score tão bom, que meu gerente me liberou a grana pra buscar o carro e só depois voltei pra colocar o Gravame. Dei metade de entrada, e financiei metade em parcelinhas de uns 400 conto.

No mês seguinte a compra da Scenic, lá vem problema.
O cara que comprou o Ka, tinha ficado de pagar o carro no meu nome.
Ele me ligou, e disse que não tinha conseguido pagar a parcela do mês. Já estava em atraso, e me mandou ir buscar o carro de volta.

Pronto, lá tava eu com 3 carros na garagem e 2 carnês na mão.
Corri pra pagar a parcela atrasada do Ka, botei ele numa loja pra vender e nada... Ficou um mês lá, paguei mais uma parcela e peguei o carro de volta.

Neste ponto, uma empresa me chamou para trabalhar com um excelente salário, e utilizaria o carro para me deslocar até os clientes.
Acordei com meu pai de passar a Scenic pra ele, ele só pagaria as parcelas e me daria o Clio pra eu vender e repor a entrada. Voltei então a andar com o Ford Ka, vendi o Brava, vendi o Clio (que foi um parto pra ir embora), ajustei meu caixa e comecei meu novo emprego, atendendo servidores da Vivo em SP.
Estava no fim de 2015, e um trabalho fixo com uma boa renda era tudo o que eu precisava.

Era um trampo 24/7 bem intenso... Eu quase não dormia. Passava o dia e a noite na rua... Realmente eu nunca trabalhei tanto como naquela época. Andava uns 5 mil km por mês com o Ka, e aquela bosta vivia me dando dor de cabeça... Cada hora um problema diferente a ser resolvido em garantia.

Aguentei 3 meses daquele trampo. Fui tão sugado, tão usado e abusado e tão mal remunerado, que no fim da experiencia pedi pra sair. Acionei o seguro do financiamento novamente pra pagar 3 parcelas do Ka, e não sabia pra onde correr.

Até que, fiquei sabendo da Uber. Fiz meu cadastro na Uber em Janeiro de 2015, apesar de ela já funcionar em São Paulo Capital, ainda iria começar a operação em Campinas.




Logo que fiquei desempregado novamente, meu pai saiu com o Ford Ka e alguém bateu nele. Quebrou farol, grade, amassou capô... E não poderia trabalhar com esse carro. Acionei meu seguro que na época era Porto, tinha carro reserva por tempo indeterminado. E peguei um Ka. Aí pensei 'vou andar de ka de novo? que nada'. Voltei na locadora e troquei por uma Duster, pagando uns 10 reais por dia.

E foi com ela que comecei a fazer Uber

Nesta época, a Uber era uma mina de dinheiro. Eu recebia apenas para ficar online... 45 reais por hora. 
Mesmo que não fizesse nenhuma viagem, só de deixar o app aberto, ganhava 45 reais por hora...
Imaginem, 14h por dia dava mais de 600 conto por dia. Mas vamos deixar a história da Uber para um outro momento.
Meu carro ficou uns 40 dias na funilaria, e eu ganhava rios de dinheiro fazendo Uber naquela época... E sempre me diziam: "A Uber destrói relacionamentos". Nunca acreditei, afinal o meu já estava destruído.

Gente, eu ganhava TANTO dinheiro só de ficar na rua online no APP da Uber, que não fazia mais nada da vida exceto ficar no carro. Era de segunda a segunda fazendo Uber, e claro que a 02 começou a reclamar da falta de atenção. Mas dizia a ela que precisava me recuperar de todo o fracasso que tinha tido, e levantar uma grana para darmos um jeito na nossa vida.

Como eu curti esse carro.



Eu a ajudei sempre da forma que pude. Quando ela perdeu o Fies da faculdade por notas ruins, zerei minha poupança pra pagar as parcelas atrasadas da faculdade dela. Durante algum tempo, arquei com as parcelas pra ela seguir seu sonho. E era 900 conto por mês! Eu me sentia em divida com ela, por tudo o que já havia feito por mim.
Não era amor, era um pacto. Um retorno. Eu me via obrigado a fazer o que ninguém faria por ela. Depois o pai dela decidiu pagar a faculdade e voltei a ter algum folego. 

Na época, ser Uber era sinônimo de status. Não era pra qualquer um. Os que eram, ganhavam muito bem. A parte ruim, era fugir dos Taxistas que nessa época vinham quebrar nosso carro.

Meu carro ficou pronto, decidi de imediato vender o Ford Ka e comprar um carro padrão Uber.
Porque? Porque as pessoas pediam um Uber, e esperavam um carrão preto e lindo. Aí aparecia "Ford KA" no aplicativo, e a pessoa cancelava... Achando que era o Ka do modelo antigo todo pequeno e apertado. Passei a ter uma taxa de cancelamento alta por parte dos passageiros, e aí não me enquadrava nos mínimos exigidos pela Uber para ganhar os incentivos extras.
Foi aí que comecei a escalada rumo ao sucesso.

O estilo de vida mudou, da noite pro dia.

Vamos quebrar a postagem e partir pra próxima, novamente. Preciso explicar o que foi a Uber pra mim, e o porque de ela ter acabado de vez com meu noivado.

Nos vemos na próxima postagem :)


sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

O primeiro noivado Parte 6

 O namoro que virou noivado, e a queda.

Começou a reinar a escuridão.

Texto escrito em: 30/12/2020 - 22h

Vamos voltar um pouquinho no tempo aqui. 
Pouco antes de eu pedir a 02 em casamento, ainda no fim de 2014... Eu sofri 2 acidentes de moto.

Logo que a Gisele ficou pronta da reforma, um cara me derrubou pois ia entrar numa rua e não me viu.
Desmontei a Gisele inteira, arrumei, e uma semana depois que ficou pronta um bêbado deu de frente comigo.

Cara, eu tava cansado de arrumar a Gisele e de tomar porrada dela dando partida.
Explico: Minha XLX350R não tinha partida elétrica, então tinha que 'pedalar' pra fazer ela pegar. Depois do segundo acidente, algo aconteceu e ela ficou ruim de dar partida...

Pancada na canela.
Então quando ia dar partida nela, ela pegava 'ao contrário' e o pedal de partida batia na canela.
Teve um sábado que fui sair com ela, e levei uma pancada. Fiquei muito puto, peguei o carro, fui na Yamaha e tirei uma XTZ Lander 250 0km.



Entrei na loja, escolhi, paguei e agendei pra retirar na segunda feira. Era uma puta moto. Alta, partida elétrica, injeção eletrônica e os caralho todo. Acho que paguei 14 mil nela.
Depois eu vendia a Gisele e acertava as contas.

Fiquei algum tempo com as 2, pois precisava arrumar a XLX pra vender.


Beleza, vamos em frente. Ano de 2015. Nossa viagem estava próxima e acho que não vou entrar muito em detalhes sobre a viagem. Fomos de carro até o Aeroporto de Guarulhos. Sempre tirava férias em janeiro, pois fevereiro era um mês de alta demanda de servidores por causa do carnaval.
Chegamos ao Uruguai, saímos do aeroporto e havia um carro alugado nos esperando. Cara, era tudo uma merreca. Paguei 19 dólares por diária do carro alugado. Tudo bem que me deram uma sucata, mas serviu pra cruzar o Uruguai de uma ponta a outra.

Aprendi a fazer chimarrão com um transeunte.



*acabou a energia aqui, mas tenho nobreak... então vamos seguir.

A viagem foi uma bosta. Quebramos o pau no segundo dia não lembro por qual motivo e o bico reinou pelo resto da viagem.
O Uruguai, é um país insalubre. Ao sair do avião, já é possível sentir o 'cheiro de biblioteca velha'. O clima era meio frio, pegamos alguns dias de chuva. Tudo era muito caro, e pegamos um hotel com cozinha pra comprarmos algumas porcarias e tentar cozinhar pratos locais.

A comida não tinha gosto, pois é proibido SAL no Uruguai. Me lembro que comprei alguns sachês de sal com o atendente do hotel por algumas moedas.




Lógico que cada lugar tem sua peculiaridades, mas imagine comer um churrasco sem tempero, e sem sal... As Carnes eram grossas e suculentas. Mas não tinham sabor. E a companhia fez a viagem ficar ainda mais desgostosa. Me lembro de caminhar na praia já pensando em chegar no Brasil e meter o pé em tudo... Eu tava de saco cheio de tanto fazer, e não ter retorno. Ouvir coisas como 'só eu te aguento, se não fosse eu você estaria sozinho' acabavam com meu dia...]

E então eu bebi.

Até que finalmente, aquela tediosa viagem chegou ao fim. Não valeu o rolê.


A paz já não existia. Estávamos noivos por pura pressão e acho que no fundo, nenhum de nós queria mais se casar.
Voltando de viagem, fomos ver um apartamento para comprar e então seguir o plano. Meu banco era o finado HSBC, e eu tinha uma linha de crédito pra imóvel. A ideia era comprar e ir pagando, para quando nos casássemos tivéssemos um lugar para morar e tal... E aí meu mundo começou a desmoronar.

Comecei a ter alguns problemas com a empresa, pois os pagamentos de hora extra não estavam sendo bem contabilizados... E todo mês recebia menos do que o esperado por erros da gerência.

A verdade, é que o negócio tava afundando e a verba tava acabando... Em breve o contrato seria rescindido com a Prodesp, e os pagamentos estavam suspensos.

A empresa pra qual eu trabalhava, tinha acabado de ser comprada pela Algar. E ao que parece, a Algar fez a compra para encerrar os negócios da Rhealeza.
Uma empresa de 500 funcionários, que operava no Brasil inteiro, estava fadada ao fracasso após a sua venda para outra empresa que queria apenas o monopólio do mercado.

Mal sabia eu que este, seria meu ultimo dia de trabalho.

Fui demitido dia 01/04/2015. É meu chapa, primeiro de Abril.
Naquele dia, acordei e vi que meu salário veio faltando metade dos rendimentos. Escrevi um e-mail reclamando, e fui bem ácido.
Algumas horas depois, recebi uma ligação do meu chefe dizendo que havia sido demitido.

Eu era tão alto astral, que imaginava que tudo fosse uma imensa brincadeira. E assim continuei achando, mesmo após assinar minha rescisão sem aviso prévio.
Minha carreira tinha acabado. Acordei no dia seguinte, crente de que receberia uma ligação dizendo 'haaaa, pegadinha do malandro, primeiro de abril'. Mas não, minha carreira na Rhealeza tinha acabado após 4 anos.

Mas não havia motivos pra pânico. Neste mesmo dia, recebi uma ligação de um antigo chefe que após ficar sabendo de minha demissão, havia me chamado para trabalhar com ele.

Era um excelente emprego, continuaria mexendo com servidores e redes e teria uma renda razoável.
Como era precavido, eu tinha seguro prestamista nos financiamentos do Carro e da Moto, além dos empréstimos que havia feito. Então ganhei 1 ano de empréstimos pagos, e 3 meses de parcelas do carro e da moto.

Concluí que deveria me desfazer do carro. Estava com ele a sei lá, 7 meses e pagava uns 1100 reais de parcela. Coloquei o carro a venda de imediato para me livrar da dívida, e acabei vendendo pro cara que me vendeu a XLX. Com a grana que peguei do Ka + a venda da XLX, comprei um Fiat Brava 

Brava SX 1.6 2001

Um dia pretendo fazer uma postagem de todos os carros que já tive, dando detalhes sobre eles. As fotos estão todas espalhadas, então vai levar algum tempo pra fazer algo legal.

Cara, eu escrevo, escrevo, escrevo... E essa parte da história num termina nunca! hahaha

Bom, livre da dívida do Ka, decidi ficar com a Lander e passei a trabalhar de moto. Como não tinha que levar nada além de meu Notebook, a moto me atendia super bem. Em dias chuvosos, eu ainda tinha um carrinho pra andar. E claro, o custo por km da moto era muito baixinho perto de qualquer carro.

Passei a ir trabalhar diariamente, atendendo o cliente banco Santo André (aquele vermelho, *eu escrevo assim porque não quero que ninguém digite Sant4nder no google e caia no meu blog).

O salário era bom, tinha me livrado das dívidas mas meu noivado ainda capengava... A 02 parou de se cuidar, começou a engordar e embarangar. Não fazia o minimo que era pintar uma unha, manter o cabelo pintado... Sabe quando a pessoa relaxa? pois é... e comecei a perder o tesão. Mas o foco ainda era colocar a vida em ordem.

A perca do emprego inviabilizou a compra do apartamento, e de imediato pausei o negócio todo antes de perder dinheiro.

Comecei a ficar desmotivado com a vida como um todo, fui ao médico fazer um check up e me receitaram anti-depressivos pra tentar melhorar minha moral. Foi aí que comecei a tomar Citalopran.

O Citalopran eu tomava ao acordar, e ficava meio chapado por umas 2 horas... até finalmente despertar e estar pronto pro mundo.

Foi aí que, numa bela manhã.... Perdi hora e saí de casa atrasado. Tomei o remédio e muntei na moto.
Sempre andei com o feixe do capacete aberto, por relaxo e excesso de confiança.
Naquele dia, quando estava na metade do caminho, parei num posto de gasolina e decidi afivelar corretamente o capacete. Com certeza, eu já previa o que estaria por vir...

Vou cortar a postagem por aqui, e na próxima falo sobre meu acidente de moto.

O caminho das pedras

 As decisões certas (ou não) A pequena frota Olá leitores queridos, como vão ? Vamos adiante na história, sobre minha empresinha de transpor...