sábado, 2 de janeiro de 2021

Meu Segundo Amor Parte 7

Quando quase morri, pela primeira vez.


Meu capacete, após o acidente.

Vamo lá gente boa! Continuo escrevendo e vou soltar um post por dia durante 'minhas férias'. 
Escrito em: 30/12/2020

Como falei na ultima postagem, saí de casa atrasado pra ir num cliente. Parei num posto para afivelar o capacete, que sempre deixei solto, andei uns 2km e um caminhão me acertou.
Havia uma obra para construção do novo Extra de Alphaville, saindo de Campinas sentido Jaguariuna, eu tava meio chapado por causa do remédio, e quando olhei pra trás... Vi uma Scania azul me acertando.

Primeira foto de quando acordei no hospital.

Meu capacete pegou no radiador dela, minha moto tinha baú, que quebrou e avançou nas minhas costas... E graças ao meu bom Santo protetor, eu fui jogado pra grama, longe da moto.

Meu pé direito foi esmagado, mas sem fratura exposta. Quebrei 4 costelas (cara, é ruim demais... não podia rir nem espirrar). A pancada na cabeça me apagou a memória por uns 3 dias.
Não me lembro do momento do acidente. Me lembro de estar na ambulância, enquanto o paramédico me reanimava, e ter segurado ele bem forte pela mão... quando ele disse "ele voltou". Aí apaguei e me lembro de muito pouco dos 3 dias seguintes.

Quando acordei no hospital, não conseguia me mover e estava MUITO enjoado. Tirei uma foto da minha perna, e vi que tinha algo errado.

Postei essa no Facebook: "Onde eu tô?" kkk

Eu andava bem protegido. Jaqueta com proteção rígida de coluna, luvas de cross... Só não estava de bota, pois estava indo pra uma reunião no banco que exigia roupa social.
Minha jaqueta e luvas se desintegraram, mas me protegeram muito bem. O capacete, por sorte era de qualidade e segurou bem a pancada.

Passado o susto, liguei pro meu pai pra falar onde estava, ele pegou a 02 e foram ao hospital.
Apesar do trauma, não foi nada grave e fui liberado no mesmo dia.

Tô bem =]

O problema foi a reunião das 10h que eu havia perdido... E isso quase custou o projeto todo. Enviei o boletim do acidente e conseguimos reverter o quadro negativo.

Minha moto tinha seguro, e não deu perca total. Amassou o quadro, as bengalas, balança.. E ela tinha uns 5 mil km naquela época. 

Parar de trabalhar não era uma opção, e como não era registrado, não tinha como abrir CAT e afastar pelo INSS.

Um dia eu conto a relação de amor e ódio com esse carro.


O Brava, pra viriar como todo bom Fiat, começou a dar trabalho... Ferveu e tive que mandar pra oficina fazer o cabeçote.

Tá Pedro, mas porque tu ainda tava noivo se já não gostava mais da mina?
Explico: Sou um homem de princípios e palavras. E alguns meses antes, dei uma martelada na minha televisão que quebrou a tela. Fui comprar uma televisão nova, e acabei comprando no cartão da 02, pra pagar em 18x sem juros no carrefour. Então eu só poderia terminar o relacionamento lá pra outubro de 2016, quando terminaria de pagar aquela merda...

Me recuperei, acionei o seguro e mandei arrumar a moto. Ficou uns 5 mil pra arrumar, paguei os 2 da franquia e anunciei a moto. Minha mãe e a 02 não queria mais que eu andasse de moto, e confesso que peguei um pouco de medo também depois dessa.

Foi aí que conheci o Crocs!

Nennhum sapato entrava no meu pé. Apesar do maior dano ter sido no direito, o esquerdo também ficou inchado e meio ruim. Troquei o gesso pela Robofoot, aluguei um carro e voltei a trabalhar.

A Lander ficou pronta, o reparo foi feito na Yamaha e cara, trocou a moto inteira. Tanque, painel, farol todas as carenagens... Saiu de lá parecendo 0km. Quando anunciei, avisei que a moto estava em reparo na concessionária por conta de um acidente, e as pessoas iam lá ver a moto...

Agora eu tava fodido. Meu carro num andava direito, num tinha a moto pra ir trabalhar e tava pagando uma grana legal de carro alugado. O Brava ficou pronto, e tive uma viagem para Pouso Alegre/MG.

Não cheguei em Pouso Alegre. Ele ferveu no caminho e parou. Isso porque tinha ficado 15 dias na oficina, onde foi feito o cabeçote, trocado todo o sistema de arrefecimento, bomba d'agua, valvula termostática, todos os selos do motor... Nada explicava o porque daquela bosta ferver.



Eu tinha um amigo de Indaiatuba, que conheci no Brava Clube... E ele falava que a Brava era uma entidade e que tinha um pacto com o dono. E minha gente, era incrível. Quando eu tava sozinho no carro, ela andava que era uma beleza. Era só a 02 colocar a bunda no banco, que a temperatura subia. Eu devo ter um video disso em algum lugar. Se eu achar eu coloco aqui.

Era um sinal claro, de que deveria encerrar meu relacionamento... Mas não antes de quitar a televisão.

E a coisa foi fervendo...


Ela nunca foi tão parceira... Mesmo no meu acidente, quem cuidou de mim foi minha mãe.. ela fazia apenas algumas rápidas visitas.

Fui me recuperando, meu carro vivia na oficina... E tinha que trabalhar muito pra pagar a oficina + o carro alugado. Nunca tive ajuda nenhuma, nem quando estava de cama. Só me restava erguer a cabeça e seguir em frente.

*O problema de eu terminar a história desse relacionamento, é que vou ter que entrar no meu casamento... E não tô muito confiante pra contar essa história ainda. Mas vamos ver onde isso vai dar.

O ano de 2015 correu, trabalhei muito e me recuperei. Decidi vender o Brava e comprei uma Blazer 4.3 v6. Fiquei com ela uma semana, até travar o motor.

Fiquei tão pouco tempo com ela, que quase não tenho fotos.


Devolvi, continuei com o Brava e achei uma Scenic pra comprar. Era um bom carro, segundo dono e estava bem cuidado.

Completaça *-*

Financiei um pedaço dela, nessa época eu tinha um nome tão limpo e um score tão bom, que meu gerente me liberou a grana pra buscar o carro e só depois voltei pra colocar o Gravame. Dei metade de entrada, e financiei metade em parcelinhas de uns 400 conto.

No mês seguinte a compra da Scenic, lá vem problema.
O cara que comprou o Ka, tinha ficado de pagar o carro no meu nome.
Ele me ligou, e disse que não tinha conseguido pagar a parcela do mês. Já estava em atraso, e me mandou ir buscar o carro de volta.

Pronto, lá tava eu com 3 carros na garagem e 2 carnês na mão.
Corri pra pagar a parcela atrasada do Ka, botei ele numa loja pra vender e nada... Ficou um mês lá, paguei mais uma parcela e peguei o carro de volta.

Neste ponto, uma empresa me chamou para trabalhar com um excelente salário, e utilizaria o carro para me deslocar até os clientes.
Acordei com meu pai de passar a Scenic pra ele, ele só pagaria as parcelas e me daria o Clio pra eu vender e repor a entrada. Voltei então a andar com o Ford Ka, vendi o Brava, vendi o Clio (que foi um parto pra ir embora), ajustei meu caixa e comecei meu novo emprego, atendendo servidores da Vivo em SP.
Estava no fim de 2015, e um trabalho fixo com uma boa renda era tudo o que eu precisava.

Era um trampo 24/7 bem intenso... Eu quase não dormia. Passava o dia e a noite na rua... Realmente eu nunca trabalhei tanto como naquela época. Andava uns 5 mil km por mês com o Ka, e aquela bosta vivia me dando dor de cabeça... Cada hora um problema diferente a ser resolvido em garantia.

Aguentei 3 meses daquele trampo. Fui tão sugado, tão usado e abusado e tão mal remunerado, que no fim da experiencia pedi pra sair. Acionei o seguro do financiamento novamente pra pagar 3 parcelas do Ka, e não sabia pra onde correr.

Até que, fiquei sabendo da Uber. Fiz meu cadastro na Uber em Janeiro de 2015, apesar de ela já funcionar em São Paulo Capital, ainda iria começar a operação em Campinas.




Logo que fiquei desempregado novamente, meu pai saiu com o Ford Ka e alguém bateu nele. Quebrou farol, grade, amassou capô... E não poderia trabalhar com esse carro. Acionei meu seguro que na época era Porto, tinha carro reserva por tempo indeterminado. E peguei um Ka. Aí pensei 'vou andar de ka de novo? que nada'. Voltei na locadora e troquei por uma Duster, pagando uns 10 reais por dia.

E foi com ela que comecei a fazer Uber

Nesta época, a Uber era uma mina de dinheiro. Eu recebia apenas para ficar online... 45 reais por hora. 
Mesmo que não fizesse nenhuma viagem, só de deixar o app aberto, ganhava 45 reais por hora...
Imaginem, 14h por dia dava mais de 600 conto por dia. Mas vamos deixar a história da Uber para um outro momento.
Meu carro ficou uns 40 dias na funilaria, e eu ganhava rios de dinheiro fazendo Uber naquela época... E sempre me diziam: "A Uber destrói relacionamentos". Nunca acreditei, afinal o meu já estava destruído.

Gente, eu ganhava TANTO dinheiro só de ficar na rua online no APP da Uber, que não fazia mais nada da vida exceto ficar no carro. Era de segunda a segunda fazendo Uber, e claro que a 02 começou a reclamar da falta de atenção. Mas dizia a ela que precisava me recuperar de todo o fracasso que tinha tido, e levantar uma grana para darmos um jeito na nossa vida.

Como eu curti esse carro.



Eu a ajudei sempre da forma que pude. Quando ela perdeu o Fies da faculdade por notas ruins, zerei minha poupança pra pagar as parcelas atrasadas da faculdade dela. Durante algum tempo, arquei com as parcelas pra ela seguir seu sonho. E era 900 conto por mês! Eu me sentia em divida com ela, por tudo o que já havia feito por mim.
Não era amor, era um pacto. Um retorno. Eu me via obrigado a fazer o que ninguém faria por ela. Depois o pai dela decidiu pagar a faculdade e voltei a ter algum folego. 

Na época, ser Uber era sinônimo de status. Não era pra qualquer um. Os que eram, ganhavam muito bem. A parte ruim, era fugir dos Taxistas que nessa época vinham quebrar nosso carro.

Meu carro ficou pronto, decidi de imediato vender o Ford Ka e comprar um carro padrão Uber.
Porque? Porque as pessoas pediam um Uber, e esperavam um carrão preto e lindo. Aí aparecia "Ford KA" no aplicativo, e a pessoa cancelava... Achando que era o Ka do modelo antigo todo pequeno e apertado. Passei a ter uma taxa de cancelamento alta por parte dos passageiros, e aí não me enquadrava nos mínimos exigidos pela Uber para ganhar os incentivos extras.
Foi aí que comecei a escalada rumo ao sucesso.

O estilo de vida mudou, da noite pro dia.

Vamos quebrar a postagem e partir pra próxima, novamente. Preciso explicar o que foi a Uber pra mim, e o porque de ela ter acabado de vez com meu noivado.

Nos vemos na próxima postagem :)


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