O namoro mais longo (parte 2)
Vamo lá, parte 2 da bagaça sem enrolação.
Ao som de: Desejo de amar - Eliana de Lima.
Nesse ponto da minha vida, eu já estava relativamente confortavel e feliz.
Apesar de não achar que namorar fosse um objetivo, eu tinha meu carrão dahora, tinha amizades novas (galera dos clubes de carro, Clube do Uno e Clube do Palio), tinha um carro confiavel pra trabalhar, um trabalho maravilhoso e um bom salário. Eu não tinha do que reclamar, mesmo. Os planos era juntar dinheiro e colocar tudo em ordem. O Ka estava financiado e não estava em meu nome, mas tava trabalhando pra resolver esse problema.
Trabalhava semana toda, de sábado conseguia curtir sem gastar muito... Mas tava estranhando a paz toda da minha vida. Sempre que a paz reinava, acontecia alguma coisa pra virar tudo de cabeça para baixo. E comecei a contagem regressiva pra alguma coisa acontecer e desmoronar minha pequena montanha.
Como sempre, no domingo me enviaram a rota da semana. Desta vez, iria para a região de Sorocaba. Aquela região é bem grande, e vai até Registro que era bem longe. Comecei por Sorocaba, depois Votorantin, Pilar do Sul, Terça feira, Itapetininga e Angatuba. Na quarta, iria para Taquarivaí, e por não ter hotel em Angatuba, pernoitei em Itapetininga.
Minha 'chefa' era a Cleo, uma mina muito parceira e que parecia trabalhar 24/7. Com ela não tinha tempo ruim!
Quarta feira acordei, meio atrasado e saí do hotel correndo pra cumprir o horário.
Quando passava por uma cidade chamada Buri, parei o carro em frente a uma loja de tratores para olhar o GPS do celular que havia bugado.
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| A inóspita cidade de Buri |
Eis que surge uma cidadã, dirigindo um Chery Tiggo foi entrar na loja de tratores e não me viu (?!!!!). Bateu no meu carro parado.
A moça deu ré, e estacionou na loja de tratores. Na época, eu era muito estourado. Já desci do carro atrás dela falando 'volta aqui moça!', e veio 2 fazendeiros na minha direção.
Um deles questionou: "O que houve?", ao que respondi: "Essa filhadaputa bateu no meu carro e nem vem dar satisfação, por quê ?" Ao que ele respondeu: "Porque ela é minha esposa!!".
Na hora previ a merda, muntei no meu carro e fugi. Eu ia apanhar. Só que os fazendeiros tinham sei lá, uma F250 e vieram atrás de mim. E claro que nessas avenidas longas, o Ford Ka não deu nem pro cheiro.
Me prensaram com uma camionete de cada lado (amassando os 2 lados do meu carro) até que eu parasse.
Meus amigos, aí eu tive a certeza de que havia me fodido.
Conversamos um pouco, eu dentro do carro pois não conseguia sair, e agora mais calmos (o cara tinha o dobro da minha altura e largura) e ele decidiu chamar a policia. Falei que não precisava, que se necessário eu pagaria pelo reparo, mas que precisava ir embora (estava sem CNH) e estava atrasado.
Tiraram uma camionete do lado, para que eu descesse, me comprometendo a não tentar fugir novamente.
Pro meu azar, o cidadão era cunhado do prefeito da cidade de sei lá, 2 mil habitantes. De imediato, chegou uma viatura da Policia Militar (mais pra frente entenderão o porque de eu estar contando isso tudo agora).
O policial desceu, me identifiquei como funcionário a serviço da Prodesp e tal... Falei qual foi o ocorrido e o policia perguntou pro cara: "foi isso mesmo?", ao que ele respondeu "não, o cara que bateu no carro dela".
Pronto, tava feita a merdalhada toda. Já não tinha mais como eu ganhar ali. Pediram minha CNH e doc do carro, apresentei a CNH vencida e o doc do carro em dia... O policial olhou pra mim e falou 'infelizmente... tu vai preso'.
Putaquemepariu, COMO PODE CARA?!?!?!?!? Fui algemado, colocado na parte de trás da viatura que era uma Parati, um guincho levou meu carro com todos os meus pertences até o pátio... E fui encaminhado ao pequeno batalhão da policia militar da cidade. Filhos da puta! Se tivessem feito o correto, que seria ir pra delegacia de Policia Civil, eu teria o delegado ao meu lado para me proteger e amparar... mas a ideia ali era me fuder mesmo.
Fui pra cela, algemado. O seu policia, sentou numa cadeira fora da cela, e disse que iria lavrar manualmente o Boletim de Ocorrência.
Perguntou minha versão dos fatos, e narrei o ocorrido, que havia parado para consultar o GPS, a moça bateu na lateral do meu carro (pois o mesmo não anda de lado para com a porta do motorista amassar o carro dela), desci do carro para ver ocorrido e mediante grave ameassa, evadi do local. E ele disse: "Mas não foi o que disseram. Disseram que tu bateu e tentou fugir".
Quem sou eu pra falar pro cara que eu tô errado ? E assim ele lavrou a ocorrência... e disse: "Tu vai ficar aqui até assinar o B.O., blz ? Enquanto não assumir a culpa, vai ficar na grade".
E passei a tarde lá, achando que o cara iria sei lá, mudar de ideia... Quando anoiteceu eu desisti, assinei o B.O. assumindo a culpa da merda toda. Chorei cara, chorei pra caralho. Minha vida desmoronou em minutos.
Aí ele me liberou, e saí da Delegacia igual quando tu ta jogando GTA e vai preso, manja? Sem dinheiro, sem porra nenhuma, num lugar que tu nem faz ideia de onde é... Obviamente roubar um carro não era uma opção (hehehe).
Andei por algumas quadras e encontrei um moto taxi... Ofereci a ele meu relógio para ele me levar até o o Hotel. Minha carteira havia ficado no carro.
*Curiosamente, começou a tocar One of Us - Joan Osborne, e essa musica retrata bem o sentimento daquela noite.
Pernoitei no único hotel da cidade... E no dia seguinte era um feriado de alguma coisa e o pátio não abriu... Então perdi um dia naquele lugar de merda. No dia seguinte, sexta feira, fui ao Pátio pegar pelo menos minha mochila e carteira, e ver o que seria nescessário para tirar o carro do pátio.
O seu policia, não cansado de me fuder... me encheu de multa. Multa por dirigir com farol quebrado, multa por lanterna queimada, multa por direção perigosa (claro porra, eu tava fugindo dos fazendeiro gigantão!) e para tirar o carro do pátio teria que pagar todas as multas (foram 7 ao todo, além de dirigir com CNH vencida), mais o guincho e a diária do pátio. Queimei a sexta feira toda tentando tirar o carro do pátio, mas os caras queriam segurar o carro até segunda... assim seriam mais diarias pra eu pagar.
Desisti cara! Fiquei puto da cara e mandei todo mundo tomar no cu. Não tinha delegado naquela delegacia, ela um delegado só que atendia a região toda e o cara só chegaria na segunda feira para assinar os papéis que liberariam o carro.
Muntei numa merda dum ônibus que fazia Curitiba / Campinas chamado 'pinga pinga', porque ele parava em tudo quanto é cidade... E fiquei entre 10 e 12h no ônibus para chegar em casa...
Minha grana tava meio curta, mesmo que quisesse não tiraria o carro do pátio e precisava pelo menos tirar as peças de computador que eu havia recolhido dos outros clientes e que estavam no Ford Ka.
Eu sabia que não podia ir pra lá com o Premio. Primeiro porque ele não tinha documento, e porque eu não tinha CNH. Então as chances de meu segundo carro ficar naquela bosta de cidade, eram imensas.
Liguei para meu amigo Highlander de Sorocaba, e pedi para que ele me salvasse. Me lembro que ele me estendeu a mão, fui de ônibus pra Sorocaba e de lá seguimos no carro do pai dele até Buri para retirar as coisas. Aí tbm depenei o carro todo. Tirei som, tudo o que podia e mandei enfiarem o carro no cu.
Voltei pra casa e o problema tava causado... eu tinha um puta dum emprego, e agora não tinha carro para trabalhar.
Sobre o acidente e a prisão... Não fui fichado criminalmente (me colocaram na cela só para intimidar) e nunca fui acionado judicialmente para cobrir os canos (pelo menos isso...).
Agora vou dar uma resumidinha nos fatos:
Eu tinha um carro véio que andava pra caramba, e por consequência consumia combustivel pra caramba. Ele fazia 4km por litro, nos dias bons... E nessa época lembro que houve uma alta expressiva no valor do Etanol. Foi de R$1,70 pra R$2,30 da noite pro dia. Trabalhar com esse carro sem documentos já era massivo pra minha cabeça, e pelo que eu gastava de combustivel, o reembolso da empresa não era suficiente pra cobrir as despesas.
Foi aí que falei pra minha chefe o problema todo, e ela me deu um mes pra resolver minha vida. Eu trabalhava só dentro de Campinas, atendendo cidades da região que eram acessíveis por estradas de terra e sem pedágio, para não correr o risco de ser parado pela policia novamente.
Meu nome estava sujo em 2011, divida pequena... Com muito esforço tentei quitar mas não consegui. Meu pai com nome sujo, minha mãe também... Não via um horizonte para comprar um carro.
Até que um dia fui com a 02 ver um Focus, passamos a ficha de financiamento que obviamente foi negada... E em tom de brincadeira disse "bem que tu podia me deixar comprar um carro no seu nome, né?"
Ao que ela respondeu: "Por mim tudo bem!" - namoravamos a sei lá, menos de 6 meses.
Na hora, aquele pequeno ponto de luz no fim do túnel cresceu, e ali eu estava selando meu 'pacto' com ela...
Naquela mesma tarde fomos ver alguns carros. Ela não trabalhava, não tinha renda... Mas tudo nessa vida tem um jeito não é mesmo ? E foi aí que achamos um Renault Clio RT Sedan 1.6 16v ano 2001 com 140 mil km rodados.
Conversei com o dono da loja, expliquei toda a situação e ele disse "Deixa comigo, tu não vai sair daqui sem carro".
O Clio não era minha opção, mas foi a unica coisa que acabou dando certo. Financiei 14 mil reais em 60x de 503 e dei mil reais de entrada, em 2 promissórias de 500 reais p/ 30 e 60.
O cara passou a ficha dela como vendedora da Avon, fez as maracutaia dele e ahhhh, antes disso tem uma coisa legal!
Quando fui fazer o test drive no carro, eu saí da loja e andei 100 metro. E o carro parou. Era um sinal, Obvio. Voltei pra loja só com a chave na mão e o vendedor se tremeu todo kkk
O problema era o alarme que estava com problemas. Passou a ficha nas maracutaia, e no dia seguinte ficou marcado de pegar o carro limpo e pronto para uso.
Pela segunda vez, a história se repete. Carro anexado a mulher, que deu problema logo no primeiro rolê.
Lembro que retirei o carro e já encheram minha fila de atendimentos. Andei 1000km na primeira semana, e o Cliozinho tava firme e forte. Na segunda semana, mais 2 mil km (e a garantia no papel era de 3 mil km).
Na terceira semana, após passar uns 100km da km da garantia, o carro começou a falhar. Havia queimado junta do cabeçote.
Depois de alguma discussão na loja, eles decidiram reparar o carro em garantia. E toca eu denovo, ligar pra minha chefe e avisar que ficaria uma semana sem carro.
Cara, aquela empresa gostava muito de mim. Não é atoa que trabalhei lá por 4 anos e fui destaque em absolutamente tudo o que fiz.
Para contornar o problema, a Carla (minha segunda chefa que foi nota 10 também) falou com a agencia de viagens da empresa, e a empresa me alugou um carro. Mas eu não tinha CNH, lembram ? kkkk
Ainda sim, concordaram em alugar o carro colocando a 02 como locatária e responsável pelo carro.
Fui na agência da Unidas que ficava próxima ao taquaral, e lá me deram um Corsa Classic com direção hidraulica.
E dei o resultado acima do esperado, como sempre. Fiquei 2 semanas com o carro, por atrasos da oficina em me entregar o Clio... E neste ponto eu já tinha a certeza de que precisava arrumar minha CNH pra ontem.
| De onde eu tirei esse chapéu? kkk |
E tava feita a segunda merda. Comprar o segundo carro no nome dela. Claro que, nosso relacionamento era bem sólido, pensavamos em nos casar um dia e por isso, não viamos problemas em ter as coisas juntos. Eu bancava praticamente tudo pelo período em que ela não trabalhava.
| Mas eu tava andando de Polo, com bancos de couro. |
Não me arrependo de nada do que já fiz na vida, mas se pudesse voltar no tempo, não teria comprado esse carro (pelo menos não desta maneira pois acabei 'jogando ele fora').
Neste momento, eu estava com 2 carros no nome dela, e desesperado pra vender o Clio (afinal, paga 807 de parcela do Polo + 503 de parcela do Clio). Passou o primeiro mês, e nada. Passou o segundo mês e nada. Cara, como era difícil vender um carro com 230 mil km + uma dívida superior ao valor do carro. Foi então que conversei com meu pai, e vendi o carro pra ele. Ele apenas assumiu o documento que iria vencer, e continuou pagando as parcelas dali em diante. A ideia era colocar a vida de ambos em ordem para transferir, mas isso foi mais difícil do que imaginavamos.
Agora com um carro super confiavel (não tem o que falar de VW, né?), passei a trabalhar ainda mais e começar a pagar as dividas mais pesadas. O Premio havia sido roubado, e quando foi roubado já tinha deixado de pagar. A quitação, foi de 900 reais + tarifa do cartório para retirar o protesto. Como meu pai foi meu fiador, ainda tive que pagar para tirar o protesto dele também).
Foi aqui que nossa relação começou a dar uma balançada por causa da mesma rotina sem graça de sempre.
Acho que pelo tamanho do texto, já ta na hora de cortar e deixar para a próxima parte. Acredito que essa história toda vai ser bem mais longa do que eu imaginava. Vamos ver o quanto vou além para narrar toda essa parte.
Texto revisado, e finalizado ao sim de: If It makes you happy - Sheryl Crow.
E por enquanto é só pessoal! Se curtiu, já sabe o que fazer né? :)





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