domingo, 27 de dezembro de 2020

A minha Adolescência

 O Show do Angra (2005) e a grande briga.



E aí minha gente, como vão?
Vamos ver se hoje sai mais alguma coisa boa, eu estava precisando de um tempo no sofá a sós com minha televisão. Ja abri minha cerveja, e vamos em frente.

Ao som de: No Pain for the Death - Angra (Temple of Shadows)

Quando pequeno, assim como muitos aqui, o estilo musical que reinava era o Pagodão. Tu ia no clube, eventos, e tava lá sempre tocando SPC, Grupo Raça, Salgadinho, etc...

Minha mãe ouvia bastante Queen, e o Nerdão foi criado ouvindo Iron Maiden, Black Sabbath e outros clássicos do metal por conta de seu pai. Então obviamente eu que vivia enfiado na casa dele, iria adquirir o mesmo gosto musical, e passar a apreciar o Rock como um todo.

Quando nos mudamos para o apartamento de 120 metros quadrados que era um por andar, e eu tinha um quarto imenso de 5x5 (!!), conheci um vizinho que morava no apto 01 e que chamarei de Bolhas (ah véi, desculpa mas eu tento).

O seu pai era musico, tocava na noite nos bares e tal e ele tinha dotes musicais (o mlk era foda! tocava violão, baixo, teclado, bateria). Foi aí que chegou o momento de aprender a tocar violão.
Me lembro que aprendi a tocar num violão que chamavamos de Robert. Era um Gianini tonante bem chulé, cordas de nylon e braço empenado.

Com o tempo fui aprendendo o básico, o som começou a sair e decidi que precisava comprar um violão (que acabou sendo uma guitarra). Fui na feira do rolo (um dia falo sobre isso), e troquei meu Nintendo 64 verde numa guitarra sem marca, com um adesivo "nas mãos de Deus". Ela era dourada, tenho registro fotográfico dela só em fotos de filme lá na casa da minha mãe. Foi aí que meu tio (por quem tenho um grande apreço), que na época tinha uma marcenaria, falou que podiamos pinta-la de preto. Desmontamos a guitarra, pintamos ela de preto e deixamos ela com a cara do Metal.

Imagem meramente ilustrativa.


Eu não tinha amplificador, mas tinha um toca-discos no meu quarto... E era nele que ligava minha guitarra bagaçada e ficava lá, por horas a fio arranhando as notas pra aprender onde colocar os dedos e tudo mais.

Bundão sempre foi playboy e tinha de tudo. Já tinha violão, comprou uma guitarra e posteriormente uma bateria. E tocava tudo mal pra caralho porque ele nunca prestou pra bosta nenhuma.

Tinha ainda um grande amigo meu, que chamarei de Requeijão (todos os apelidos aqui citados tem algum nexo com a realidade, ok?) e esse cara sim, tocava guitarra bem pra caramba.
Nerdão tinha um bom vocal, Bolhas gostava de bateria e realmente tocava bem, Requeijão guitarra solo, Bundão guitarra base, sobrou o que? Pedrão no contra-baixo.

Eu tocava um exatamente igual a este.


Foi aí que aprendi a tocar contra-baixo. Era relativamente simples, bem mais simples que a guitarra e eu até que tinha gostado da coisa (acho que ninguém vira baixista porque quer, vira porque é facil ou é o que sobra..). O instrumento foi arranjado pelo pai do Bolhas, sabe-se lá como. Bandinha completa, usavamos o salão de festas do condominio para tocar (a bateria já ficava lá).

Por vezes, também tocavamos no meu quarto e como era um apartamento por andar, não havia problemas com barulho.

O gosto musical foi se moldando ao Rock, preferencialmente ao Speed Metal e a coisa foi andando... Foi aí que decidi deixar o cabelo crescer, e passavamos o final de semana todo tocando os sons das bandas que curtiamos. O Bolhas além de tudo era compositor, e sempre inventava uma coisas legais pra gente tocar. Era uma época muito, muito bacana (porque eu me preocupava em curtir, não com mulheres). Eventualmente, levavamos algumas moçoilas da escola para ver a gente tocar, e claro que isso dava uma moral enorme pra todo mundo (chegarei lá em breve).

Fui a um único show na minha vida. UM. E foi o show do Angra, em 28/01/2005 no Campinas Hall. Lembro que o show foi fenomenal porque os caras tocavam demais, e no fim ainda (claro), tocaram Saint Seiya do cavaleiros do zodiaco.

Me lembro de ir a pé comprar os ingressos pro show do Angra, num lugar que chamava "Desce Escada", e paguei 30 reais pelo ingresso em 2005. Foi eu, Nerdão, Requeijão, Narigudo (falarei dele um dia) e um outro colega que não posso citar o apelido dele na época pois hoje é visto como crime de injúria e rac1smo.

Meu pai tinha uma Fiorino branca, e lembro que fomos todos no baú da fiorino pro show kkk. Encontrei algumas conhecidas, lembro que fiquei bêbado tomando alguma porcaria com pinga que compramos na fila da entrada e passei o show todo zonzo (é legal eu falar sobre bebida algum dia).
O show acabou e fomos embora, sem maiores feitos ou lembranças daquele dia.

Vale lembrar que nesta época, Eu, Nerdão, Requeijão e Narigudo iamos passar a madrugada no cemitério da Saudade em Campinas (não lembro porque, mas era o role da época). Por incrível que pareça, era muito, mas muito divertido. Meu 'bonde' era formado por metaleiros, e sabe-se lá Deus como, acabamos conhecendo uns Sk1nHeads que eram mto gente fina. Foi nessa época que comecei a fumar de verdade.

Minha mãe me pedia pra acender um cigarro, e eu só acendia e puxava fumaça na boca.. não tragava. Aí o Skin um dia me falou 'vc tem que engolir a fumaça, como se levasse um susto'. E dei meu primeiro trago, pra nunca mais abandonar.

Lembrar disso, me fez lembrar de outras amizades e confusões das quais me meti... E vamos a uma aqui embaixo:

Estava cursando a Sétima série pela primeira vez (repeti, e explicarei o porque) no Matosinho, uma escola que ficava a 3 quadras de minha casa. Eu era muito enrolado, vivia comprando e vendendo coisas pra levantar alguma grana (ainda não trabalhava). E uma vez, eu 'aluguei' um PS1 pra jogar em casa por algumas semanas... e junto com ele veio uma bolsa com os CDS de jogos.

Usei o game lá por um tempo e tal, passado o mês, devolvi o game e os jogos. Porém, o locador reclamou que faltavam 2 jogos (mas tenho certeza de que não faltava nada).

Falei pra ele que pelo dano, iria lhe recompensar com uma Fita do Super Mario World do Snes (que eu tinha) mas que precisava de algum tempo. Isso foi em sei lá, março.

E foi aí que começou 'a saga do Miguel'. Miguel era um conhecido, que havia fornecido os jogos para o console da época e morava na mesma rua da escola. Logo era impossível fugir dele. E diariamente, ele me questionava da fita. Ele chegava do meu lado e dizia: "A fita mano, cadê a fita?"

E eu dava um jeito de enrolar pois a fita havia sumido.

Tivemos as férias de julho, em agosto as aulas voltaram... Eu já frequentava o tatá (apelido do cemitério) e andava com os cabeça-raspada fora da escola. Sempre tive amizades poderosas devido meu carisma, talvez.

Parei de ir para a escola, pois estava sendo ameaçado. Eu ia pra escola e não entrava... passava o dia escondido no salão de festas do prédio ou na praça da escola. Até que repeti de ano.
Meu pai foi chamado na escola, falei que o motivo de não frequentar as aulas eram as ameaças, e prontamente ele me mudou de escola para então fazer novamente a sétima série.

Beleza, passei a estudar no Vilela Junior, escola que era longe de casa... eu ia e voltava de ônibus, mas estava livre dos problemas e das ameaças.

Aqui um ponto bem interessante: Os caras sabiam onde eu morava e iam na minha casa me cobrar.... O que eu fiz ? desmontei o interfone de casa e cortei o fio. Foda-se, não vai mais ter inferfone pros filhos da puta tocarem e ninguém enche meu saco (coitado do meu pai, que nunca soube o porque do interfone não funcionar).

Virou o ano, era fevereiro e me lembro de estar andando de bicicleta e eu vivia de boné, pois meu cabelo tava crescendo e tava uma merda... e quando olhei pra traz, lá estava Miguel na sua Monark Barra-Forte sem marchas atrás de mim. Nessa época, eu me deslocava pra cima e pra baixo de bicicleta inclusive com meus amigos.

Nunca temi uma luta.


Quando vi que estava sendo seguido, meti marcha na minha Caloi Aspen 21 marchas e meu amigo... O cara conseguiu me alcançar. Lembro que ele se aproximou do meu lado e apertou o manete de freio da minha bike, me forçando a parar. Foi aí que ele pegou meu boné e falou "só te devolvo quando vc me dar minha fita! E se achou ruim pode ir na minha casa!!" Caralho... meu sangue ferveu naquele dia. 

Fui na casa do Skin, e falei 'mano, fulano de tal pegou meu boné e falou que se eu achei ruim, é pra ir lá na casa dele!' Como o cara adorava uma boa briga, Fomos lá na casa do cidadão. Ele andava de calça militar, coturno, cabeça raspada, sobrancelha com recorte (um significado BEM diferente do que é hoje). Skin intimidou o Miguel, que tremeu por sua vida e me devolveu o boné. Porém, o Miguel também era 'do movimento' e andava com os Clubber / Pagodeiros da época.

No dia seguinte não teria aula naquela escola, mas eu teria na minha. Foi então marcado um 'duelo' entre as 'facções'. As 9h da manhã na pracinha, cada um levava seus amigos pra tirar suas diferenças.

Skin, temendo pela minha segurança mandou um amigo me esperar no ponto de onibus naquele dia para me acompanhar até em casa, afinal eu era o 'pivô' daquela confusão toda.

Fui pra aula como se nada fosse acontecer, e meio dia estava descendo do ônibus na amoreiras pra voltar pra casa... e lá tava o Narigão me esperando.

O contexto foi: 9h da manhã todos apareceram na pracinha. Skin1 levou uma corrente, Skin2 levou cachorro... e o pau comeu. Narigão usava aparelho e levou um soco na boca. Por fim, os Skins colocaram os pagodeiros pra correr, e meu passe livre pelo bairro estava concedido...

Cara, olha que bizarro. Causei uma puta briga dos caralho, sem querer botei um monte de gente pra me defender, e eu sequer botei as caras na confusão... Coisa de patrão não é mesmo ?

Não preciso dizer que depois desse dia, minha moral foi nas alturas. Eu era o cara, e as pessoas tinham medo até de olhar pra mim. Nas minhas costas, rolava o apelido de Big Boss. Genial, né ?

Eu resumi bem essa confusão toda... mas fui interceptado diversas vezes por muita gente que queria minha cabeça... Infelizmente a unica saída era essa confusão generalizada pra eu fazer meu nome e ter paz. Meu interfone não tocou mais, meninas tinham um imenso interesse em me conheci (inclusive foi assim que peguei a cara-de-cavala, a Joicy, a Gabriela, a prima dela...).

E por hoje acho que é só. Se curtiu, comenta aí!

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